sábado, 14 de junho de 2008

A BIOQUÍMICA DO ESTRESSE

EXTREMOS DA TOLERÂNCIA HUMANA
A BIOQUÍMICA DO ESTRESSE


INTRODUÇÃO
O termo estresse, incorporado do inglês stress, é conceituado como o conjunto de reações do organismo a modificações de ordem física, psíquica, infecciosa, e outras, capazes de perturbar-lhe a homeostase, com o objetivo de adaptação a uma nova situação (restabelecimento do equilíbrio). No entanto, a mais corriqueira utilização do termo está relacionada ao desgaste de origem emocional, fato comum à conjuntura competitiva atual. Essa situação, quando é vivenciada por longos períodos de tempo, ultrapassando limites orgânicos de tolerância, traz conseqüências marcantes para o organismo.
Um dos primeiros cientistas a demonstrar experimentalmente a ligação do estresse com o enfraquecimento do sistema imunológico foi Louis Pasteur (1822-1895). Em estudo pioneiro no final do século 19, ele observou que galinhas expostas a condições estressantes eram mais suscetíveis a infecções bacterianas que galinhas não estressadas.
Posteriormente, em 1936, tem-se referência mais formal ao pesquisador canadense HANS SELYE, que submeteu cobaias a estímulos estressores e observou um padrão específico na resposta comportamental e física dos animais.
A reação ao estresse é uma atitude biológica necessária para a adaptação a situações novas. Em situações extremas de estresse prolongado, o organismo humano procura corrigir os exageros aos quais é submetido através da produção de substâncias para suportar tais condições de adversidade. O corpo lança mão de uma quantidade maior do hormônio cortisol (ou hidrocortisona) - substância que produzimos normalmente. Tal hormônio, juntamente com a adrenalina e noradrenalina, prepara o organismo para enfrentar situações-limite, procurando reparar os danos corporais que possam ter ocorrido.
Essas situações de grandes danos não devem ser corriqueiras e, portanto, o aumento do cortisol também deve ser transitório, retornando aos níveis normais ao fim (superação) da agressão geradora.
Porém, com tanta tensão - e outros estados emocionais que chegam até a angústia, raiva, medo – acaba-se por manter níveis de cortisol anormalmente elevados por períodos longos demais (semanas, meses, ou até mesmo anos). E o mecanismo de regulação passa a atuar como agressor do organismo.


ESTRESSE: ESFORÇO DE ADAPTAÇÃO
O estresse deve ser inicialmente entendido como o conjunto de reações que o organismo desenvolve frente a situações que exigem um esforço de adaptação. A vida seria muito monótona sem estresse. Um pouco dele traz uma certa dose de emoção, de desafio, necessários para que as pessoas sintam-se mais estimuladas a vencer os obstáculos do cotidiano.
“A ansiedade pode ser um fator de crescimento, não só de destruição. Se você não tem angústias, desafios a serem vencidos, não tem estímulo para produzir. A ansiedade em fazer um bom trabalho, por exemplo, pode ser algo positivo, dentro dessa colocação”, esclarece o presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília, doutor Antônio Geraldo da Silva.




Estresse não é sinônimo de doença, mas sim de esforço para adaptação. Porém, a partir de certos extremos o estresse deixa de ter aspectos positivos. Tais limites são estabelecidos segundo a duração e intensidade dos estímulos estressores.


CAUSAS DO ESTRESSE
Os fatores precursores da reação orgânica de estresse são diversos; existe, entretanto, um consenso na literatura em delimitar três causas etiológicas fundamentais ao estado de estricção: a imprevisibilidade, a falta de controle de uma situação e a ausência de um canal de escape às tensões cotidianas. As circunstâncias geradas são ainda classificadas como distúrbios pós-traumáticos.
Citam-se, como principais agentes estressores, a morte, separação conjugal e perda de emprego. Sendo distinguidas, como maiores estressores do sexo feminino, a morte e a separação conjugal. Enquanto o sexo masculino tem maior propensão a situações de insucesso profissional, como a perda do emprego.
É importante ressaltar ainda que, como reação a novas situações, o estresse e seus fatores são singulares a cada organismo humano; existindo respostas individuais dependentes da reação emocional, patrimônio genético e heranças biográficas de cada indivíduo.


A RESPOSTA BIOQUÍMICA AO ESTRESSE
Define-se estímulo estressor como qualquer incitação capaz de gerar o citado conjunto de respostas fisiológicas devido às perturbações no estado homeostático, resultantes de alterações nas funções das glândulas supra-renais (hiperfunção) e do sistema nervoso autônomo simpático.
A reação do organismo aos agentes estressores pode ser dividida em três estágios.
No primeiro estágio (alarme), o corpo reconhece o estressor e ativa o sistema neuroendócrino.
Os estímulos são direcionados ao hipotálamo, que quando estimulado, secreta o hormônio liberador da corticotropina (CRH) no sistema porta-hipotálamo, que faz o aporte sangüíneo para a parte anterior da hipófise. O CRH estimula a hipófise (as setas vermelhas indicam as vias de estimulação) a secretar o hormônio adenocorticotrópico (ACTH) na corrente sangüínea. O ACTH faz que as supra-renais liberem o cortisol, um hormônio clássico de estresse (as setas azuis indicam os efeitos inibitórios) que age no hipotálamo para inibir a liberação contínua de CRH.
O cortisol aumenta a pressão arterial e o açúcar do sangue, além de ser imuno-regulador.
O sistema nervoso autônomo simpático também é estimulado pelo hipotálamo. Aquele, por sua vez, estimula a medula das adrenais à produção de epinefrina e noradrenalina que aceleram o batimento cardíaco, dilatam as pupilas, aumentam a sudorese e os níveis de açúcar no sangue, reduzem a digestão, contraem o baço (que expulsa mais hemácias para a circulação sangüínea, o que amplia a oxigenação dos tecidos).
No segundo estágio (resistência), o organismo repara os danos causados pela reação de alarme, reduzindo os níveis hormonais. No entanto, se o agente ou estímulo estressor continua, o terceiro estágio (exaustão) começa e pode provocar o surgimento de uma doença associada à condição estressante, pois nesse estágio começam a falhar os mecanismos de adaptação e ocorre déficit das reservas de energia. As modificações biológicas que aparecem nessa fase assemelham-se àquelas da reação de alarme, mas o organismo já não é capaz de equilibrar-se por si só.




















Em diversos estudos, constatou-se ainda em diversos animais que os distúrbios pós-traumáticos promoveram a redução da região o encéfalo denominada hipocampo, responsável pela memória e controle das emoções. Com essa atrofia, existe a diminuição do número de dendritos de neurônios e aumento de ventrículos no encéfalo.



ASPECTOS SINTOMÁTICOS – EXTREMOS DO ESTRESSE
SELYE descreveu os sintomas do estresse sob o nome de Síndrome Geral de Adaptação, composto de três fases sucessivas: alarme, resistência e esgotamento. Após a fase de esgotamento era observado o surgimento de diversas doenças sérias, como úlcera, hipertensão arterial, artrites e lesões miocárdicas.
Como já citado, os aspectos sintomáticos são bastante individuais, mas como generalização poder-se-ia citar:
+ físicos - dores de cabeça, indigestão, dores musculares, taquicardia, alergias, esgotamento, gastrite;
+ psicológicos: apatia, memória fraca, tiques nervosos, isolamento e introspecção, emotividade acentuada, irritabilidade.


O ESTRESSE OXIDATIVO: UMA DISFUNÇÃO EM NÍVEL MOLECULAR
No organismo humano, ocorre a formação de radicais livres derivados do oxigênio em vários processos metabólicos (espécies eletronicamente instáveis, altamente reativas, podendo ser receptores ou doadores de elétrons), exercendo um papel importante no funcionamento do corpo humano. Eles são responsáveis pelo transporte de elétrons na cadeia respiratória e, em alguns tipos de células, têm a capacidade de eliminar bactérias invasoras.
Quando ocorre o acúmulo dessas espécies reativas de oxigênio, devido a um aumento excessivo na sua produção ou diminuição dos agentes oxidantes, elas passam a ter um efeito orgânico prejudicial. Tal excesso de radicais livre é denominado estresse oxidativo.
Essa situação pode derivar tanto de fatores endógenos como de fatores exógenos. Os principais fatores internos são: envelhecimento, câncer, alguns tipos de anemia, infarto do miocárdio, arteriosclerose e doença de Parkinson. A precipitação por fatores exógenos provém de estresses químicos: poluição atmosférica, alimentação inadequada, pesticidas; estresses emocionais: depressão, medo, traição, frustração; estresses físicos: trabalho braçal, excesso de exercícios, queimaduras, radioatividade; estresses infecciosos: doenças virais, bacterianas, fúngicas.
No organismo, os radicais livres de oxigênio podem combinar com o DNA das células, alterando seu código genético e produzindo uma multiplicação celular desordenada. A reação dos radicais livres com os ácidos graxos, constituintes de óleos e gorduras, pode favorecer o depósito de placas nas paredes arteriais, diminuindo sua elasticidade e propiciando o aparecimento de hipertensão arterial. Além da peroxidação de lipídios de membranas plasmáticas, podendo levar a lise celular e disfunção do sistema imunológico.
O tratamento para combater tal desequilíbrio resume-se em três condutas objetivas: diminuir o estresse primário, administrar ou estimular a produção de enzimas antioxidantes (superóxido dismutase, glutationa peroxidase e selênio) e administrar antioxidantes não enzimáticos (vitamina E, caroteno, ácido ascórbico e tocoferol).




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. GALLINA, V. L. P. A Bioquímica do Estresse: "Estou esgotado! Que conseqüências o estresse traz para mim?" – Jornal da APCD, agosto de 2003.
2. PROF. DR. VANNER BOERE SOUZA - Professor da Faculdade de Biologia da UnB. O Entrevista: Estresse e o seu Cérebro.
http://www.virtual.epm.br/material/tis/curr-bio/trab2001/grupo2/index
http://www.psiquiatriageral.com.br/stress/index.htm http://www.afh.bio.br/endocrino/endocrino3.asp
http://www.depresiones.cl/amigdala%20hipocampo%20corteza%20entorrinal.jpg
http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/biologia/bio08a.htm

Um comentário:

caio mendes araujo disse...

me chamo analide e gostaría muito de obter o endereço de amail de um de vcs ,por favor me respondam ,um abraço !

aninhajacuma26@hotmail.com